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Séries, sagas, trilogias e demais empreitadas literárias que o autor desta coluna não processa muito bem. E quer saber com quem você não avança.

Estreia, na próxima sexta-feira, o oitavo e derradeiro filme da série Harry Potter, entitulado “Harry Potter e As Relíquias da Morte – parte 2″ – o último episódio da série não coube em apenas um filme. Ainda que o último livro já tenha sido publicado no Brasil em 2007 e todo mundo (que leu, obviamente) saiba o final da história, é o longa dirigido por David Yates o responsável pela verdadeira despedida de Harry e inúmeros outros personagens da vida de milhões de pessoas ao redor do mundo. Ou nem tanto: seja na literatura, no cinema ou em qualquer outro setor artístico, a série de J.K. Rowling é um dos maiores fenômenos culturais da década, e dificilmente os fãs (e o mercado) esquecerão este nome.

Particularmente, não sou muito chegado a acompanhar séries literárias. Aliás, não acompanho nenhuma, incluindo as de cinema e de televisão – peço perdão a meu colega de blog, responsável pela coluna Yada Yada Yada. Da série Harry Potter, por exemplo, só li dois de seus títulos (os dois primeiros, “Harry Potter e A Pedra Filosofal” e “Harry Potter e A Câmara Secreta”, além de ter vencido 40% de “Harry Potter e A Ordem da Fênix”). Da saga de Stephenie Meyer, apenas “Crepúsculo” e “Lua Nova”“O Senhor dos Aneis” sequer li. Curiosamente, “As Crônicas de Nárnia” devorei em 3 semanas.

De qualquer forma, a obra de C.S. Lewis foi uma (grata, confesso) exceção: não sou, de fato, muito empolgado com continuações, sequências, sagas, séries ou trilogias de qualquer espécie. Me agradam muito mais as obras que começam e acabam em si mesmas – ou que até rendem posteriores trabalhos, mas que não configuram esse caráter de seqüencialidade. Um exemplo notório seria o de Machado de Assis, que transformou um coadjuvante de “Memórias Póstumas de Brás Cubas” (1881) em protagonista de um romance posterior: “Quincas Borba” (1891). Não é preciso ter lido um para entender o outro, pois os temas e os núcleos são completamente distintos, há apenas um elo suave entre as obras.

Outra dificuldade que tenho (esta postagem está ficando confessional demais) é a de levar adiante determinadas leituras. Não é preguiça, não é má vontade, não é implicância – acontece que não rola. Até dou atenção especial ao livro em questão, crio situações especiais para aperfeiçoar a leitura, me concentro mais do que o habitual – mas não vai. Há uma falha na conexão. É até uma porcentagem irrisória perto da quantidade de livros que já consegui ler sem enfrentar qualquer dificuldade do gênero, mas me incomoda bastante. É frustrante. Porque não era pra ser desse jeito.

Pois bem: a seguir, as três obras que mais me dão dor de cabeça até hoje, por nunca ter conseguido lê-las do início ao fim, mesmo tentando – e tentando bastante, juro:

“Grande Sertão: Veredas”, de João Guimarães Rosa (3 tentativas)

No último fim de semana alardeei: “estou começando a terceira tentativa de leitura de “Grande Sertão: Veredas”, e espero que seja a última”. Quatro dias e 60 páginas depois, aborto a missão. Este é o livro que mais me irrita – não por seu conteúdo, mas pela pouca atração que exerce sobre minha curiosidade leitora. Uma pena, porque Guimarães Rosa é um dos maiores, senão o maior, escritor do século XX. Saber disso eu sei, e concordo enquanto admirador da literatura. Como leitor é que complica.

A propósito, esta é uma questão interessante e fundamental: nem sempre desgostamos de tudo o que é ruim (até porque “pães ou pães, é questão de opiniães”, como diz Riobaldo, o protagonista do romance). Particularmente, me esforço ao máximo para distinguir em cada leitura o que é culpa minha e o que é culpa do autor – porque sim, há culpa pra todo mundo.

O fato é que a primeira quinta parte deste livro já fixou de tal forma em minha cabeça que temo não conseguir vencê-la nunca. Meu organismo criou um bloqueio? Não sei. Mas – ainda – não foi desta vez. Espera um pouco mais, Riobaldo.

***

“Crime e Castigo”, de Fiódor Dostoiévski (3 tentativas)

Tenho problemas com a literatura russa. Já me aventurei por este terreno com outros autores (Tolstói, Tchekhov, Gogol – Nabokov foi feliz exceção) e não obtive muito sucesso, mas o fato de ter em casa um exemplar de “Crime e Castigo” me fez insistir nessa ideia de que eu deveria ler o tal drama do jovem Raskólnikov – até decorei o nome do rapaz.

Ingenuidade minha. O consagrado estilo do Dostoiévski me irrita um pouco, talvez por ser cria de uma literatura mais ágil. Nunca cheguei sequer ao momento em que Ródia (apelido de Raskólnikov) conhece Sônia, ou seja, mais ou menos a metade do romance.

***

“Ulisses”, de James Joyce (4 tentativas)

Talvez eu ainda seja imaturo demais para conseguir este. Talvez a tradução que peguei tenha atrapalhado. De uma coisa, porém, tenho certeza: não é pra ser, pelo menos por enquanto. Dos três citados, pelo menos, foi o que me deu mais prazer de tentar. Há momentos que interessantíssimos, que me cativaram como leitor. De qualquer forma, já me recomendaram a leitura ideal, que seria intercalar os capítulos de “Ulisses” aos cantos de “Odisseia”, epopeia de Homero que serviu de base para o romance de Joyce.

A dica está anotada. Um dia tentarei e, quem sabe, consiga ir além da metade do terceiro capítulo.

***

Absolutamente natural que todo leitor tenha seus defeitos. Devo confessar que até me orgulho de parte dos meus – não acompanhar séries ou sagas como Harry Potter, A Torre Negra (essa do Stephen King) ou Crepúsculo. Esta é, portanto, também uma opinião minha, não gostar de séries literárias. Não conseguir ler “Crime e Castigo” quando dá na telha é que me irrita – se bem que, no caso, o que me irrita é a escrita do Dostoiévski. Mas deixa pra lá.

A pergunta que fica é: quais são os bloqueios literários de vocês, fiéis ou eventuais leitores? Há algum título, algum autor, algum gênero em que você tenta, insiste, se dedica, mas não rende muita coisa? Pode confessar, eu sei que tem.


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