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Devaneios de vida.

Ela disse Van Gogh
Contos de fadas, pontos de vista
Cartazes, revistas, romances antigos
Estampas baratas e bares perdidos
O copo de vinho dançando entre os dedos
Sorrisos, olhares, delírios, desejos
Teatros vazios apontando seus medos

Guardava segredos de causas perdidas
Dançava nas pistas de casas vazias
Às vezes sumia, sem nada a dizer
Tentava entender o porquê do não dito
De tempos em tempos queria morrer
O ser ou não ser das escolhas da vida
E outra investida da noite tão fria
A melancolia de um breve silêncio
Não há alma viva que vá entender…

Ela disse Van Gogh
O dia surgia, invadindo as janelas
Quebrando entre as telas da tinta ainda fresca
As cores tão frias, e ainda tão belas
E lá estava ela, criando seu mundo
Aprendeu a amar, aprendeu a esquecer
Aprendeu a chorar, e aprendeu a dizer
Que sentia saudade

É tão grande a cidade, são tantos meus erros
E são tantos momentos de sorte ou azar
Eu não quero ficar, e não quero partir
E eu não quero sorrir um sorriso amarelo
Não quero esse rosa, esse inferno vermelho
Não quero que os campos se entreguem ao verde
Eu quero o inverno, o branco de tudo
Eu quero meu mundo repleto de cinza
Eu quero os mistérios do frio e da chuva
Eu quero no azul devaneios de vida.

(texto escrito em parceria com Marlon Kroth.)

(“Noite Estrelada”, de Van Gogh, é a imagem que ilustra o post.)


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