“A fama é fortalecedora. Meu erro foi que eu pensei que saberia instintivamente como lidar com isso. Mas não há manual, não há curso de treinamento.” – Charlie Sheen
É informação demais. Simplesmente informação demais para absorver nas últimas semanas, meus amigos. Mas se você passou a maior parte do tempo no Planeta Terra desde que o ano começou, já deve ter lido alguma das (milhares de) notícias já veiculadas sobre o ator Charlie Sheen.
Pois bem. Como tudo o que eu disser aqui não será dito pela primeira vez na internet, vou começar justamente com uma breve retrospectiva, um esclarecimento, uma seção de ‘melhores momentos’ da conturbada (e não por isso não divertida) vida do (ex) protagonista de Two and a Half Men.
A série estreou em 2003, com Charlie fazendo o papel de um canalha, irresponsável, folgado, mulherengo e beberrão que recebe seu irmão e seu sobrinho para morar com ele em sua casa. Charlie não poderia estar mais à vontade no papel (que leva seu nome, por obviedades da vida) e a CBS não tinha do que reclamar, já que rapidamente um sucesso se consolidara na emissora.
A maré estava tão boa para Charlie que, agora sóbrio e tentando colocar a sua vida de volta nos trilhos (não vamos comentar aqui a vida de Charlie Sheen antes do início da série, mas um pouco de Google refresca a memória de qualquer um), foi pai pela primeira vez em 2004, e logo depois pela segunda vez. Mas claro, não cometamos o erro de iniciante em esquecer que estamos falando de uma celebridade cuja carreira nunca foi marcada por momentos, ahn, como dizer isso, “família”. Sua esposa pediu o divórcio no início de 2005, grávida de seis meses. Apesar de alegar “diferenças irreconciliáveis”, começava a ficar visível que Charlie Sheen havia voltado a consumir drogas e álcool.
(Eles ainda se reconciliariam em julho, mas Charlie não foi esperto o suficiente pra perceber que empurrar a esposa enquanto ela segurava o bebê no colo e gritar “I hope you’ll die, bitch” não a faria morrer de amores por ele novamente.)
Mas a série continuava um sucesso (aliás, é inegável dizer que parte dele se devia à vida pessoal de Charlie) e alguns anos depois, a novela amorosa se repetia. Charlie se casou novamente em 2008, e no ano seguinte foi pai de gêmeos. Tudo é lindo, tudo é maravilhoso, tudo está em paz novamente… Por LONGOS seis meses, quando Charlie Sheen foi preso por agredir sua esposa.
Em 2010, a ideia de que talvez seja hora de parar com as drogas e com a bebida e com as mulheres passou pela cabeça de Charlie Sheen pela centésima vez, e dessa vez ele se agarrou a ela com mais força. Foi nessa época em que ele pediu férias e passou um tempo na reabilitação. Aos que pensavam que a série perderia o fôlego, ele assinou um contrato de mais dois anos com a CBS e passou a ganhar nada menos do que 1,8 milhão de doláres. POR EPISÓDIO.
(Faça as contas. Eu espero.)
A série mantinha o alto nível de audiência, mesmo caindo gradativamente em qualidade. Tudo parecia lindo e maravilhoso novamente. Porém…
Já começou a virar rotina. Em outubro do ano passado, Sheen causou um prejuízo de 7 mil dólares ao hotel em que estava hospedado. Seu representante, na época, afirmou que houve uma “reação adversa aos medicamentos”, desculpa extremamente justificável para destruir um quarto de hotel.
Creio que esta “introdução” (calma, o post não vai muito longe) serve bem para ilustrar o que se passa atualmente. Começa o ano de 2011 e a série que parecia estar acima de todos os problemas pessoais da sua estrela principal também começa a sofrer com os seus excessos: Two and a Half Men. tem a sua produção interrompida para que Charlie fosse novamente (tentar) se cuidar. E o que deveria servir para esfriar a sua cabeça foi o gatilho para o fenômeno que a mídia está presenciando nessas últimas semanas.
Charlie foi demitido, brigou com o criador da série, Chuck Lorre, criticou o colega de anos de série, (o excelente) Jon Cryer, e entrou com um processo contra Chuck e contra a Warner Brothers no valor de 100 milhões de dólares por sua demissão. O advogado de Charlie sugere que os réus “conspiraram” para demitir Charlie Sheen, aproveitando-se da crítica aberta do ator feita à produção da série como justificativa. Singer também alega (e agora as coisas ficam mais absurdas ainda) que Sheen foi demitido quando estava doente, o que viola a lei dos direitos de trabalho.
Enquanto o processo rola, Charlie tem se dedicado ao Twitter, batendo o recorde mundial (conferido oficialmente pelo Guinness!) de maior número de seguidores em menor tempo. O ator obteve um milhão de seguidores em exatas 25 horas em 17 minutos. Hoje, já soma quase três milhões. E subindo!
De qualquer forma, essa novela ainda terá muitos e muitos capítulos. A grande dúvida agora é se a série manterá um bom nível de qualidade e de audiência sem Charlie Sheen. Chuck Lorre afirma que procura um substituto para o protagonista, o que me deixa um pouco preocupado. Creio que a série teria uma temporada digna e um series finale bem representativo se sustentado apenas pelos dois personagens principais restantes. O mesmo enredo já vem sido construído há bastante tempo e talvez seja a hora de Alan sair da casa do seu irmão e morar apenas com seu filho (ou quem sabe, reatar com a esposa?). Também seria uma oportunidade de dar mais valor a Jon Cryer – excelente comediante, muito superior a Charlie Sheen, diga-se, e que conseguiu se tornar o personagem principal depois que o plot do Charlie (da série) havia se tornado repetitivo demais – e a Angus T. Jones – que até pode ser um bom ator, mas que quando a série terminar sempre terá sua imagem atribuída a de seu personagem na série – aliás, isso dá um post).
É arriscado apostar em um novo personagem principal depois de tantas temporadas. Precisa ser alguém muito bom (pena que Matthew Perry e Matt LeBlanc voltaram à ativa, se eles esperassem mais alguns meses…), ou muito famoso (os sites sobre séries apontam Matt Dillon, Rob Lowe ou John Stamos, que são ótimos, mas que eu simplesmente não consigo imaginar encaixados em Two And A Half Men), ou com uma vida pessoal tão controversa como a de Charlie Sheen (existe alguém assim?)
Two and a Half Men já entrou pra história como uma das maiores sitcoms das últimas décadas e não merece um fim decadente como o que está se encaminhando para o seu ex-protagonista. Tanto para Chuck Lorre quanto para Charlie Sheen, fica a dica: é bom saber a hora de parar.




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6 mandaram ver
Oxycodone-Ir-30 disse:
8 jun, 2011
Oxycodone Ir 30
Rodf disse:
16 mar, 2011
Eu, como fã desde a primeira temporada,fico triste em saber que o Charlie Sheen é um merda na vida real, e mostra isso pelo seu Twitter o tempo todo. Essa coisa de #winning tem muito da cultura americana do vencedor (que já não é boa por si só), mas ele faz da forma (visivelmente) mais equivocada possível. Todo mundo tá vendo o poço em que ele está se afundando cada vez mais, e ele não pára de tentar mostrar o contrário, em vão.
Triste, isso. Apesar de dizerem o contrário, estão cada vez mais claras as diferenças entre o Sheen e o Harper.
Jivago Achkar Jrieje Alcantara disse:
15 mar, 2011
Tem é que recontratar o Charlie. Two And a Half Men sem o Charlie não é Two And a Half Men.
Rafael disse:
15 mar, 2011
Pior que esta temporada estava boa…
Duvido que consigam emplacar algum outro protagonista. Melhor seria inventar uma viagem pro Charlie (Harper) e centralizar os episódios no Alan, usando também outros personagens bons da série, como Berta e Evelyn
Litha Bacchi disse:
15 mar, 2011
Séries que dão muito dinheiro têm extrema dificuldade em saber a hora de parar. Eu, como uma grande devoradora de séries, posso te afirmar que nenhuma presta depois da 6ª temporada. Em vez de deixarem a série acabar na glória e total dignidade, desgastam ela até as pessoas encherem o saco. Acaba que ninguém se interessa em ver o final. Ou que o protagonista resolve pirar e usar drogas e falar mal dos seus colegas de elenco e ser demitido. Er.
Gus Vilela Fofolete disse:
15 mar, 2011
1,8 milhão de doláres por episódio. depois dizem que a bebida e mulheres não levam à nada, né?
puta merda.