FacebookLinkedInOrkutTumblrGoogle ReaderWordPressBlogger PostShare

Carpe diem, caros leitores. Esse é o meu primeiro artigo aqui no Tópico Livre e escreverei um pouco sobre uma obra musical muito conhecida e respeitada para os amantes da música clássica: trata-se da obra Peer Gynt.

Muitas pessoas, ao ouvirem o termo música clássica, logo pensam em nomes como Mozart, Beethoven, Chopin, Bach, entre outros tantos conhecidos. Porém no meu primeiro artigo escreverei sobre a obra de um compositor que não se encontra no grupo dos mais conhecidos pela mídia, o norueguês Edvard Hagerup Grieg.

Peer Gynt, para os que desconhecem sua origem, foi inicialmente criada como um livro, escrita em versos, pelo escritor Henrik Ibsen. A intenção de Ibsen era de escrever um drama, e não seria usado para apresentações de teatro, como as obras anteriores do escritor. Ibsen buscou inspiração em casas tradicionais de fazendas, e como não podia faltar também, o ambiente escolhido para a inspiração dessas casas foi em Vinstra, norte da Noruega.

Em 1874, o escritor decidiu adaptar a sua obra para ser representada em um teatro de Christiania (Oslo). Nessa época, a opereta e o drama musical eram muito valorizados pela tradição teatral norueguesa, e então Ibsen, vendo que sua obra talvez não fosse vista e apreciada como queria, resolveu apresentá-la com música de cena. Recorreu, então, ao compositor Grieg para escrever.

Sinopse da obra:

Peer Gynt, um jovem camponês, conhece Solveig em uma boda e fica de imediato enamorado. Convida-a para dançar, mas ela nega-se, assustada com a natureza brusca e selvagem do rapaz. Furioso, Gynt agarra violentamente Ingrid, a noiva da festa, e foge com ela para a montanha, abandonando-a poucos dias depois. Toda a população da aldeia se mostra hostil a Peer Gynt – menos Solveig que, pouco a pouco, apaixona-se por ele. Ela dirige-se à floresta, onde está a cabana de Peer, esperando encontrá-lo. Mas ele partira para percorrer o mundo. Quando, após várias aventuras, o viajante regressa em um estado lastimoso, Solveig o salva com seu amor. Peer morre feliz, nos braços da amada.

Essa obra é vista como uma sátira sobre a fraqueza humana. O protagonista, atrevido e aventureiro, arrogante e sonhador, possui uma fértil imaginação para dizer mentiras. Porém, o autor não quis mostrá-lo como alguém pérfido, mas sim contraditório, com um misto de força e debilidade, ao mesmo tempo rude e carinhoso.

A música:

Chamada de Suíte No.1, Op. 46, a obra é iniciada por um fenomenal solo de flauta. No quarto ato, Peer se encontra na África e o tema, chamado A Manhã, se repete pelas cordas e isso simbolizou o amanhecer. Este tema é encontrado também em muitos desenhos, como em Pernalonga. Um tema que desperta tranquilidade em nosso interior, uma suavidade extrema, muitas vezes chegando à paz espiritual.

Não sei quanto aos admiradores dessa obra, mas A Morte de Ase despertou em mim uma tristeza profundamente perturbadora. De imediato pensei na morte de alguém, em uma coisa fúnebre. De fato, a mãe de Peer Gynt, Ase, sempre lamentou o estilo do filho. Uma angústia reinou sobre sua alma perante a morte e Peer tentou amenizar suas últimas horas com histórias por ele inventadas. Ele a fez imaginar que a conduzia ao paraíso e que, juntos, atravessavam a entrada. Talvez a mais triste de toda a obra escrita por Grieg, A Morte de Ase atravessa os limites da angústia, da solidão, nos faz refletir sobre a dor que em nós é reinada quando alguém muito querido parte.

Quando Peer vagueia pelo deserto, se depara com Anitra, uma jovem árabe. Apesar de achar sua beleza grosseira e sensual, Peer leva-a consigo. Ela dança para ele, e por esse motivo, Grieg intitulou o tema de Dança de Anitra, marcada por um ritmo sensual, que conduz o ouvinte à imaginação, ao sonho.

Talvez a parte mais cômica da obra, Na Gruta do Rei das Montanhas é marcada pela sonoridade que às vezes nos faz lembrar um circo cheio de palhaços, mas não menosprezando sua seriedade. Peer tenta seduzir uma mulher vestida de verde, mas ele logo descobre que ela é filha do rei dos duendes. Por sua vez, o rei ordena que ambos se casem para que Peer torne-se um dos seus, mas ele se nega e é perseguido pelos anões, que desaparecem com o sino da igreja ecoando ao longe. Intensa, o tema é bem conhecido por ter sido usado em vários filmes e obras de teatro.

Na Suíte No.2, Op.55, Peer encontra-se retornando à Noruega, mas quando começa uma tempestade, parece que o mar, furioso, deseja que Peer nunca mais veja sua pátria – e erre para sempre sem encontrar a sua paz. O tema, chamado Regresso de Peer Gynt, é marcado por fortes instrumentos de sopro, e conduzido pela orquestra, fazendo o ouvinte a visualizar o ambiente de uma tempestade.

Após roubar um rico vestuário a um mercador do deserto, Peer faz-se passar por profeta em uma tribo do Marrocos. As donzelas beduínas rendem-lhe homenagem com uma exótica dança, escrita pelo compositor em Dança Árabe.

Lamento de Ingrid é triste e ao mesmo tempo reflexiva. Ela lamenta-se por Peer tê-la raptado e a abandonado. Chegando quase ao mesmo nível de A Morte de Ase, este tema nos transmite uma imensa tristeza.

Em Canção de Solveig, uma das mais belas melodias de Grieg, Solveig entoa a canção enquanto espera pela volta do infiel amado. Nasce uma esperança em nós, de dias melhores.


Email this post Envie este artigo por e-mail

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
FacebookLinkedInOrkutTumblrGoogle ReaderWordPressBlogger PostShare