“ABC, NOT THAT easy as 1,2,3…”
Lembro-me até hoje da tensão constante do primeiro episódio da finada FlashForward. Um episódio denso, de deixar os espectadores ofegantes, apreensivos a cada mistério sutilmente lançado. Lembro-me, também, dos PÉSSIMOS episódios que antecederam a pausa nas exibições, aquele hiatus gigantesco, que até para razoáveis entendedores do mundo televisivo americano significava apenas uma coisa: a série estava por um fio.
E quando esse fio se rompeu, em maio do ano passado, a ABC deu, mais uma vez, provas de que não está nem aí para o seu público. Mas, como eu sempre digo (olha que chique o blogueiro de araque criando catchphrases!), VAMOS AOS FATOS!
FlashForward era uma série que, sob o olhar do agente do FBI Mark Benford (interpretado por um não tão convincente Joseph Fiennes), tenta explicar um misterioso evento global no qual todas as pessoas do planeta desmaiam ao mesmo tempo por dois minutos e dezessete segundos e, nesse “apagão”, enxergam um relance das suas vidas seis meses no futuro a partir daquele momento (obrigado, Wikipédia, pelo auxílio na escolha das palavras).
Nem vale a pena mencionar que a ABC vendeu FlashForward como uma nova Lost, o que apesar de chamar a atenção dos agora órfãos da ilha, afastou alguns que, como eu, nunca simpatizaram muito com Jack e companhia. A série estreou em 2009, e, ainda no hype Lostiano, exibiu o piloto mais espetacular dos últimos tempos (ok, o piloto de Fringe entra nessa briga também…).
A audiência acompanhou o hype, e, apesar de mais do que satisfatória no primeiros episódios, foi lentamente diminuindo, e diminuindo… e então a série fez uma pausa. Façam os cálculos em casa: mais de 12 milhões de telespectadores no primeiro episódio, quase 11 milhões no segundo, 9 milhões no terceiro, e descendo… O último episódio antes da pausa, em dezembro de 2009, foi visto por menos de 7,5 milhões, número insignificante para uma série com tantos gastos de produção e uma vaga no horário nobre da ABC.
Mas enfim. Voltando às minhas lembranças, me recordo também de quando a série retornou da pausa em março de 2010 – já abertamente disputando com a superestimada V por uma 2ª temporada – completamente transformada. Os mesmos dramas estavam ali, os atores também eram os mesmos, a trama pouco havia mudado – mas o andamento da série estava diferente. FlashForward, quando esteve por um fio, produziu neste hiatus (e creio que boa parte deva ser creditada à edição, visto que alguns episódios já deviam estar prontos antes) quatro ou cinco episódios em sequência com uma qualidade comparada ao piloto. E a ABC tentou (mas só tentou mesmo) hypar novamente a série, produzindo promos mais trabalhadas, e até fazendo um episódio especial entrevistando o elenco e os produtores.
Mas e então, e a audiência? Só pode ter melhorado, você deve estar pensando. 6,6 milhões no episódio da volta, depois 6,2 milhões, depois 5,9 milhões, depois menos de cinco milhões…
Não havia mais jeito.
A series finale de FlashForward deixou os fãs decepcionados, mas não com a não resolução de alguns mistérios, ou com a falta de um fechamento apropriado. Muitos, como eu, certamente pensaram que a ABC, depois da grande burrada de marketing para com a série, cometeu outra burrada ao anunciar o seu cancelamento tão em cima da hora.
Deixá-la por um fio foi extremamente “saudável” para a série, é preciso admitir. Mas deixar os produtores realizarem um dos melhores finales dos últimos tempos, e colocarem um dos melhores cliffhangers dos últimos tempos, conseguirem fazer a série voltar com tudo, com episódios ótimos, com a história se encaixando… Para depois cancelar?
Não. Até dá pra entender que V tem um custo de produção muito mais baixo com aqueles efeitos especiais toscos (e que também ganha pontos por ser filmada no Canadá), mas ainda assim, V não se compara ao potencial que FlashForward tinha. Pena que a ABC, que aliás já havia feito burrada semelhante com Studio 60 On The Sunset Strip anteriormente, ainda trata a audiência como um mero número, uma estatística. Realmente, uma pena.
Ficam, para mim e para muitos fãs, a lembrança. E pra vocês, ó caros leitores, um debate. Audiência é o fator mais importante na hora de decidir o destino de um programa de tevê?
Semana que vem, a resposta.
Ou não.



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