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Los Angeles, 13 de fevereiro. Um entardecer ermo na cidade californiana ilustrava um prognóstico vivaz da tão aguardada quinquagésima terceira edição do Grammy Awards. Minutos antes do início no tapete vermelho, inúmeras celebridades desfilaram com os seus mais ousados, singelos, sobretudo luxuosos modelos, introduzindo essa que seria a premiação com o maior índice de audiência registrado desde a edição de 2004, com cerca de 27 milhões de telespectadores, segundo a rede norte-americana de televisão CBS. Numa noite onde o rock independente, aos poucos, adquire espaço na cena pop, houve também benevolência aos tradicionais jazz e country americano.

A noite deu início com uma astuta homenagem a icônica Aretha Franklin, apresentando-se a rechonchuda Christina Aguilera, Jennifer Hudson, Martina McBride, Yolanda Adams e Florence Welch, vocalista do grupo Florence & the Machine. Cada uma exerceu um vocal solo, com ênfase aos seus agudos timbres, exatamente como um tributo a uma das mais importantes vozes da música soul merecia. O agradecimento de Aretha veio ao final, por meio de um vídeo. Em seguida, o primeiro prêmio da noite foi entregue à banda de São Francisco Train, na categoria “Melhor Performance Pop,” para a música “Hey, Soul Sister,” desbancando os jovens do Paramore, Marron 5 e Sade. Querida pela academia – com 2 Grammys entregues para a música “Drops of Jupiter (Tell Me)” em 2002 – o grupo é usualmente pouco notado pela crítica, recebendo o cunho de “banda comum” entre a grande maioria das revisões em que foram expostos.

Na sequência, com a descrição “uma música sobre ser quem você é” do apropriado Ricky Martin, a famigerada apresentação de Lady GaGa dominou o palco do Staples Center. Anteriormente, GaGa surpreendeu com a sua exibição no tapete vermelho dentro de um ovo, sendo carregada pelos seus assistentes até a entrada do evento. Ela permaneceu por lá até o início da sua apresentação, que divulgou mundialmente seu primeiro single do seu segundo álbum de estúdio, “Born This Way.” Além da sua caracterização física atípica, com relevos cúbicos sob sua pele, o momento foi um dos menos impactantes dentre os acumulados por ela em shows do gênero, forçando inclusive a acreditarmos que essa tenha sido uma de suas apresentações mais discretas. A canção, que segundo ela já fora aprovada por sua mentora Madonna e é atualmente a música mais vendida no iTunes em 21 países, hasteia a bandeira à favor da livre sexualidade, embora a apresentação tenha ganho teor de apoio às diferenças, sejam elas psicológicas ou físicas. O ínterim da música foi segmentado por uma composição dissonante tocada em um orgão, erguido em frente ao palco, decorado ao redor por rostos aparentemente extraterrestres, enquanto GaGa apoiava um de seus joelhos em cima das teclas do instrumento, denotando aquela sua já familiar feição dolorosa. Ao final todos os seus bailarinos se juntaram a ela e em grupo reproduziram uma de suas marcas registradas: unharam com suas mãos estendidadas no ar. A estratégia parece ter dado foco a bailarinas com aspectos masculinos, tanto quanto bailarinos demonstrando femininos. Apesar do apelo comercial, Lady GaGa pareceu mais humana nessa prévia de sua ainda recente empreitada. Enquanto antes havia uma perceptível relevância superficial – e às vezes bizarra – seu novo álbum deve seguir a linha pessoal, levando às más línguas a crer que “The Fame” tenha sido apenas parte, senão crucial, essencial, da ísca.

Miranda Lambert, que faturou o prêmio de “Melhor Performance Country Feminina,” fora introduzida por seu namorado também músico Blake Shelton, com a música “The House That Built Me,” que conforme suas próprias palavras, considera uma música muito significativa a ela. Ao fundo foram projetadas imagens com famílias reunidas, desde John Lennon à própria Lambert, que cativou o público com sua beleza e seus olhos por vezes lacrimejados. Os próximos a animarem a casa foram os britânicos do Muse, que interpretaram sua canção recem lançada “Uprising” do experimental “The Resistence” de 2009. Na coreografia, anarquistas invadiram o palco munidos de paus e alguns encapuzados, simulando uma briga de rua, enquanto o império capitalista ao fundo entrava em colapso. Ao final restaram apenas chamas, presentes também nos coqueteis molotov conduzidos pelos rebeldes. Muse concorreu na categoria “Melhor Álbum Rock” e venceu, além das indicações a “Melhor Canção de Rock” e “Melhor Performance Vocal.”

O trio B.o.B (22 anos), Bruno Mars (25 anos) e Janelle Monáe (25 anos) foram os próximos a ingressarem ao palco. Juntos, os três representaram a soma de 14 indicações, além de serem destacados como proeminentes revelações da música. O “mashup” começou com “Nothin’ on You“, faixa nomeada a “Melhor Gravação do Ano,” do Mars, com trechos rap cantados ao fundo por B.o.B e o acompanhamento sintético de Monáe. O próprio Bruno deu continuidade com outro single de sua autoria, “Grenade,” sob uma apresentação à moda antiga, preto e branco, triunfando sua conquista na categoria “Melhor Performance Vocal Pop Masculina“. Em seguida foi a vez de Monáe, com sua explosiva “Cold War,” que a fez em estado de êxtase pular sobre a pequena plateia da seção frontal do palco, que a carregou até o corredor que divide a audiência. Monáe estourou com um dos álbuns mais bem revisados do ano de 2010, “The ArchAndroid (Suites II and III),” conseguindo atingir as primeiras colocações de grande parte das listas elaboradas com as melhores obras do ano, dando a entender que é a favorita a adquirir status duradouro. Entretanto a franzina de Kansas não levou nenhum prêmio para casa, amargando apenas indicações a “Melhor Álbum R&B Contemporâneo” e “Melhor Performance Urbana/Alternativa” para seu single “Tightrope.”

Usher e Justin Bieber tiveram seu primeiro encontro em 2007 mostrado publicamente nos telões, com maiores detalhes de como se conheceram e sobre a origem da parceria – e apadrinhagem – entre os dois. No vídeo, Bieber de apenas 13 anos canta pela primeira vez para o já ganhador de 5 Grammys, Usher, que empolgado aplaude ao final. Os dois se encontraram no palco logo depois, com um faixe de luz focalizando Bieber, que apenas acenou positivamente, com os olhos em lágrimas, ao pedido de Usher dizendo que agora era a vez dele. Claramente em reposta aos céticos que duvidam do seu talento, o jovem de apenas 16 anos interpretou uma versão acústica do seu indômito single “Baby.” O garoto detêm o título de “Artista Revelação Internacional” de 2011 oferecido pelo Brit Awards, porém passou em branco na sua casa natal, no Grammy. Com atuações e trejeitos de Michael Jackson, Bieber dividiu o momento com o pequeno Jaden Smith, ator e cantor de apenas 12 anos, com a exibição do seu novo single “Never Say Never,” rodeado por ninjas e lutadores de artes marciais. Usher reapereceu com “OMG,” juntando-se a Bieber novamente. Ambos ao final tiveram um instante solo de coreografias, plenamente reverenciadas pelo público local.

Das mãos de Selena Gomes e Stevie Wonder, do New Kids on the Block, Bieber e Katy Perry viram sua estatueta de “Melhor Álbum Pop” irem direto às mãos de Lady GaGa para seu álbum extra “The Fame Monster,” um dos trabalhos mais vendidos do ano e número 1 em países como Inglaterra, Estados Unidos, Austrália, Alemanha e Polônia. A estrela pop agradeceu Whitney Houston por ser uma de suas inspirações quando criança. Visivelmente emocionado, Marcus Mumford, vocalista do grupo londrino Mumford & Sons cantou “The Cave,” para depois entregar a cena folk aos norte-americanos Avett Brothers, que agregaram com “Head Full Of Doubt, Road Full Of Promise.” Mas a união surgiu pouco depois, com a ilustre aparência do vivido, mas não recalcado Bob Dylan, uma das principais influências da música e certamente veterano e pioneiro folk. Com a voz rouca e cálida, ele cantou “Maggie’s Farm” com seus pupilos ao fundo. Apesar da presença, ambos os grupos não conquistaram nenhum prêmio, embora Mumford & Sons tenha ganho como “Melhor Álbum Britânico” no Brit Awards de 2011.

Lady Antebellum foi uma das supresas da noite. Com a magnânima aquisição dos prêmios de “Canção do Ano” e “Gravação do Ano” para a música “Need You Know,” “Melhor Álbum Country,” para o álbum homônimo, e outras duas categorias country, a dócil Hillary Scott deve estar profundamente agraciada e sorridente ao lado de suas 5 estatuetas. O grupo, que conta também com os integrantes Dave Haywood e Charles Kelley, é oriundo de Nashville, Tennessee e despontou em 2008 com o álbum de mesmo nome da banda, com abarrotados elogios da crítica country especializada dos EUA. No entanto o desconhecimento exterior ainda é iminente, e a banda normalmente é ignorada por revistas ou imprensas dedicadas a outros estilos. Não para a academia, que insiste ano após ano na sua já convencional prática de supervalorização ao country. Cultural, intencional, comercial ou não, há de se convir que o single mais premiado da noite tem seu irresistível charme pop.

O sabor pop não parou por aí: após a premiação country, Cee-Lo Green – conhecido por formar dupla no Gnarls Barkley – foi o responsável por uma das apresentações mais divertidas e empolgantes da noite. Vestido em trajes carnavalescos, ele entoou os primeiros versos ao lado de fantoches dos mais excêntricos tipos – em especial, um animado “cachorrinho” ao seu lado – num cenário colorido e extravagante. A segunda parte teve a inesperada entrada da escultural australiana Gwyneth Paltrow, relembrando sua notória interpretação da branda versão de “Fuck You,” “Forget You,” no musical Glee. Esbanjando sensualidade em um decote preto, combinados com seus brincos de penas rosas choque, ela fez um dueto com Green passando a maior parte do tempo em cima do piano, olhando diretamente para ele. Todavia o momento tenha deixado a plateia efusiva e tenha sido um dos mais amáveis, Cee-Lo Green perdera o título de “Gravação do Ano,” mas levou o de “Melhor Performance Urbana/Alternativa,” além da consagração como “Melhor Artista Internacional” pelo Brit Awards.

Com 4 indicações, Katy Perry introduziu-se timidamente, sentada em uma gangorra repleta por brilhos, um meigo vestido rosa, a escuridão e imagens de seu casamento se opondo a ela nas cortinas brancas ao fundo. Como em um sonho, ela cantarolou sua balada e provável novo single “Not Like the Movies,” que encerra seu último álbum de estúdio e também indicado como “Álbum do Ano” e “Melhor Álbum Vocal Pop,” “Teenage Dream.” Acompanhada por uma excitada Nicole Kidman, ela prosseguiu com o single “Teenage Dream,” que não obteve êxito no Grammy, mas certamente configura como uma das faixas mais dóceis do ano, ao lado de seus bailarinos caracterizados com uniformes escolares típicos de adolescentes, junto a imagens e um cenário compostos por corações vermelhos. Depois da saliente imagem vulgar do seu álbum de estreia, Perry parece ter recuperado sua afabilidade não só devido às suas recentes canções apaixonantes, mas também pela inocência – ainda que contracenada – readquirida por ela, tão escassa no mercado fonográfico norte-americano. No auge de seus 26 anos, sua delicadeza ainda lembra uma irresponsável menina, lambuzando-se com doces e sonhando com seu par perfeito. Também dócil, mas aparentemente responsável, a antes promissora e agora estável Norah Jones, ganhadora de invejáveis 9 Grammys, prestou homenagem a Dolly Parton, cantando sua “Jolene,” com John Mayer (7 Grammys) e Keith Urban (vencedor da noite, na categoria “Melhor Performance Vocal Country Masculina“) no violão, surtindo arrepios a jovem Esperanza Spalding na plateia, que parece ter aprendido a didática da glória no Grammy.

Rihanna, Dr. Dre e Eminem foram os próximos a contemplarem, primeiramente com “Love The Way You Lie” entre o inflamado rapper de Missouri, que já ganhou 13 Grammys ao todo em seus 38 anos de vida, e a diva pop de Barbados, escolhida a dedo para cantar sobre uma faixa repleta por obsessão sádica, dando a transmitir coerência após os agressivos hematomas propagados pelo seu ex-companheiro, Chris Brown. Dr. Dre, amigo de longa data de Eminem e seu principal suporte para a fama, versou ao som de “I Need a Doctor,” com refrão de Skyler Grey. Com congratulações de John Legend, a jovem promessa do jazz, Esperanza Spalding, foi condecorada com o prêmio de “Melhor Artista Revelação,” logo em seguida. Um pouco retraída e tímida, a educada – e esbelta – surpresa, que deixou Justin Bieber “chupando dedo,” optou por agradecer, além de seus familiares, seus professores, mostrando que muitas vezes uma conduta formal é mais valorizada que uma repulsa, em termos artísticos, na premiação musical considerada a mais importante do planeta. Depois da já típica homenagem a nomes importantes da música que faleceram no ano de 2010, foi a vez da Mick Jagger pegar o gancho da nostalgia com “Everybody Needs Somebody to Love,” pupular faixa dos Rolling Stones nos anos 60, nessa que foi sua primeira participação no Grammy. Eletrizante, ele interagiu com uma plateia bastante receptiva, enquanto brincava consigo mesmo e integrantes da banda, em especial o guitarrista.

O prêmio “Pessoa do Ano” foi atribuído a Barbra Streisand por sua incrível carreira no mundo da música (como cantora e compositora) e televisão (como atriz e diretora) bem como seus inúmeros projetos paralelos, que lhe renderam a impressionante marca de conquistas em premiações como Oscar, Emmy, Grammy e Tony Award, tornando-se uma das poucas pessoas a alcançarem o feito. Barbra ficou conhecida no cinema com o musical “Funny Girl,” obtendo o Oscar de “Melhor Atriz” e logo mais tarde o de “Melhor Canção Original” para o filme “Nasce uma Estrela,” ambos do fim da década de 60.

Uma flamejante Nicki Minaj e o respeitado will.I.Am, líder do Black Eyed Peas, entregaram o prêmio de “Melhor Álbum Rap” para “Recovery” do Eminem, deixando para trás “How I Got Over” dos veteranos Roots, “Thank Me Later” do estreiante Drake e “Blueprint 3” do Jay-Z. Sob berros da latina de Trinidad e Tobago, Minaj, anunciando seu nome, Eminem demonstrou seu conhecido misto de perplexidade e rigidez, ao agradecer seus produtores, Rihanna que, segundo ele, ajudara a projetar seu álbum, Dr. Dre e a Inerscope Records. Uma versão tentadora de Rihanna ainda voltou aos palcos, com seu fogoso cabelo vermelho, pouca roupa e insinuações sexuais a Drake, que colaborou no seu recente álbum na música “What’s My Name,” que foi sugerida na ocasião repaginada em um ritmo mais tribal. Na sequência, uma estonteante Jennifer Lopez anunciou junto a seu marido, inusitadamente de menor estatura que ela, Marc Anthony, o prêmio de “Melhor Canção do Ano” para “Need You Now” de Lady Antebellum, estouro tradicionalmente norte-americano.

Os canadenses indie do Arcade Fire foram os próximos a se apresentarem no Staples Center, com uma barulhenta interpretação de “Month Of May,” repertório do seu recente terceiro álbum de estúdio, “The Suburbs.” Enquanto Sarah e Marika contorciam displicentemente seus instrumentos, dois ciclistas deram voltas ao redor do palco com uma câmera acoplada em seus capacetes e mochilas nas costas, provavelmente simbolizando a juventude e sua gana radical. Apesar da estranha exibição, a plateia e expressiva parte do mundo ficaram boquiabertos ao ouvirem dos lábios desconcertantes de Streisand, ao anunciar “The Ssssssuburbs,” como ganhador da principal categoria do Grammy Awards de 2011, “Melhor Álbum do Ano.” Nos bastidores seus integrantes ainda pareciam não acreditar, enquanto subiam ao palco. Sob aplausos animados de Lady GaGa e uma Régine que hesitava tirar suas mãos da boca, desacreditando, sem a ficha ainda ter caído, Win Butler, vocalista do grupo, agradeceu a cidade de Montreal, após repetidas vezes expressar a palavra “Thank you,” sem saber ao certo o que e pra onde dizer no momento. Eles encerraram então com “Ready To Start,” quando estavam na verdade prontos para terminar, dominando assim o cume, uma das bandas mais brilhantes e inteligentes do século.

Enfim um resquício de justiça reluzia ao final do Oscar da música.

Confira abaixo os vencedores e seus concorrentes das principais categorias da noite:

Álbum do Ano:

Arcade Fire – The Suburbs
Eminem – Recovery
Lady Antebellum – Need You Now
Lady Gaga – The Fame Monster
Katy Perry – Teenage Dream

Canção do Ano

“Need You Now” – Lady Antebellum
“Beg Steal or Borrow” – Ray LaMontagne And The Pariah Dogs
“Fuck You” – Cee Lo Green
“The House That Built Me” – Miranda Lambert
“Love the Way You Lie” – Eminem Featuring Rihanna

Gravação do Ano

Lady Antebellum – “Need You Now”
Eminem e Rihanna – “Love the Way You Lie”
B.o.B e Bruno Mars – “Nothin’ On You”
Jay-Z e Alicia Keys – “Empire State of Mind”
Cee Lo Green – “Fuck You”

Artista Revelação

Esperanza Spalding
Drake
Justin Bieber
Florence and the Machine
Mumford & Sons

Melhor Álbum Pop

Lady Gaga – The Fame Monster
Justin Bieber – My world 2.0
John Mayer – Battle Studies
Katy Perry – Teenage Dream
Susan Boyle – I Dreamed a Dream

Melhor Performance Pop por uma Dupla ou Grupo

Train – “Hey, Soul Sister (Live)”
Elenco de Glee – “Don’t Stop Believin’ (Regionals Version)”
Maroon 5 – “Misery
Paramore – “The Only Exception”
Sade – “Babyfather”

Melhor Álbum Rap

Eminem – Recovery
B.o.B – The Adventures of Bobby Ray
Drake – Thank Me Later
Jay-Z – The Blueprint 3
The Roots – How I Got Over

Melhor Álbum Rock

Muse – The Resistance
Jeff Beck – Emotion & Commotion
Pearl Jam – Backspacer
Tom Petty And The Heartbreakers – Mojo
Neil Young – Le Noise

Confira também algumas das músicas apresentadas na premiação:


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