

Rebecca Black e o viral mais odiado de todos os tempos:
Quem passou pelo dito pesadelo Justin Bieber deve ter tido más noites de sono depois da repentina aparição de uma garota de apenas 13 anos de idade da Califórnia. Rebecca Black ganhou o mundo quando apareceu em uma das faixas produzidas por uma recem fundada gravadora de Los Angeles, Ark Music Factory, que também é responsável por inúmeros vídeos estrelando crianças/jovens com suas vozes tratadas em músicas direcionadas ao público pré-adolescente no YouTube. Embora o sucesso tenha sido mínimo com os outros, não foi o que se viu com Rebecca que, seja pela voz nasal ou pelo clipe pobre de “Friday,” ganhou milhares de visualizações e de um dia para o outro se tornou um dos ícones da geração “Twitter,” que ganha fama tão rapidamente quanto se perde. Até hoje não se sabe ao certo o que fez de Rebecca uma das celebridades mais comentadas na internet atualmente, e o quão estranho é um dia ser uma simples estudante do ensino fundamental e no dia seguinte aparecer como uma das principais atrações do clipe recente de Katy Perry. Se você acha que foi agradando que a garota conseguiu sua fama, se engana ao perceber que a maioria dos comentários e notas são negativas na página do seu vídeo no YouTube, além de ter virado motivo de chacota, paródias e até mesmo ter recebido ameaças de morte. Em “Friday,” uma letra óbvia que bizonhamente diz que todos estão ansiosos pela sexta-feira, “que vem antes de sábado e domingo,” Rebecca fez o vídeo com seus amigos reais de escola, que inclusive trataram de exibir suas contas no Twitter se aproveitando de uma colossal fama de Black. Numa época em que o bullying está cada vez mais em evidência, o drama sofrido por Rebecca logo tomou proporções similares, impensado quando sua mãe, uma veterinaria, pagou meros 2 mil dólares à gravadora para realizar o vídeo com sua filha. O aspecto mais interessante envolvendo a menina e a sociedade é como nos dias de hoje o embaraçoso ou, sendo mais radical, a escrotice, tem virado entretenimento, em que o telespector ou ouvinte se satisfaz ao denegrir publicamente, como moscas se aglomeram sobre os alimentos. Como se não bastasse, a réplica surge tão vergonhosa quanto seu mentor, explicando o impressionante e surpreendente surgimento de virais por toda a internet, com pessoas cada vez mais se expondo ao ridículo.
Apesar de “Friday” levar todo o jeito de uma proposital bizarrice, a música nada mais é do que a realidade de uma adolescente norte-americana, que tipicamente acorda cedo, toma café, espera o ônibus da escola, de fato escolhe qual lugar quer se sentar e passa a semana inteira aguardando pela sexta-feira, dia em que poderá se reunir com seus amigos em uma suposta festa. A intenção da Ark claramente era ter atingido o público mais novo, com uma temática apropriada, mas ampla audiência ainda insiste em interpretá-la por um prisma sério e profissional, quando na verdade é uma simples menina que, depois de amanhã, completa 14 anos de idade. O difícil para a sociedade é entender que antes da postulada insensatez de Rebecca Black, está a imensurável hipocrisia de pessoas que pensam se levar a sério a ponto de achar que festas mostram displicência e livros intelectualidade, sem mesmo entender que um dia foram crianças que adoravam doces e brincavam de esconde-esconde ou, na pior das hipóteses da tal sociedade moderna, jogavam Ragnarok e faziam “cosplay” dos seus personagens favoritos. Isso me faz pensar quem, neste exato momento, merece levar o troféu pela estupidez: Black que mostrou seu dia, sua voz, seus amigos e sua excitação numa música, ou a sociedade que a cada dia parece menos se entender, à beira de um colapso que eles mesmos idealizaram?
Ainda é dúbio e sem previsão o amanhã da garota, que há poucos dias prometeu lançar um novo single e, quem sabe, um novo viral intitulado “LOL,” uma óbvia referência ao linguajar difundido pela internet, o “internetês.” O conceito de álbum nem sequer passa pela cabeça dela e muito menos de seus empresários, que naturalmente irão investir na sua imagem e em singles pré-fabricados. Depois de ter passado na última semana por uma briga por direitos autorais entre sua gravadora e ela, “Friday” foi removido do canal destinado a Ark e recolocado não se sabe se por um representante da VEVO, uma espécie de cartel entre a Sony, Universal e EMI, juntas, ou por algum canal particular da garota.

Take That e o porquê de serem a maior banda pop do Reino Unido:
Take That deu início em maio a uma das maiores turnês já realizadas no Reino Unido rendendo mais de um milhão de dólares de ingressos vendidos em menos de 24 horas de venda, o que se resume em quase duas milhões de pessoas que irão vê-los em 27 datas da turnê “Progress” pela Grã-Bretanha, sendo 8 delas no estádio Wembley, do Arsenal, feito que ultrapassa o conquistado por Michael Jackson na sua turnê “Bad,” que reuniu público para 7 shows, segundo reportagem publicada pelo jornal britânico The Guardian. A turnê também marca o retorno de Robbie Williams ao grupo, que os deixou em 1995 para seguir carreira solo, mas voltou para a produção do sexto álbum de estúdio, “Progress,” lançado ano passado. Além de Robbie, Gary Barlow e Mark Owen também realizaram projetos paralelos ao longo de suas carreiras.
A “boyband” que hoje recebe os cumprimentos por “manband,” considerando que todos os seus integrantes estão próximos dos 40 anos, sendo Robbie o mais novo, com 37, lançou ano passado o single “The Flood,” que como de costume realizou grande impacto no Reino Unido, porém breve no restante do mundo. O amor entre Take That e os britânicos vem de meados dos anos 90, quando Take That emplacou seus primeiros sucessos como quinteto, e logo depois quando Robbie isolou-se para também cravar seu nome na história como um dos principais e mais famosos cantores da terra da rainha. O motivo pelo qual a nação inglesa cai de amores por eles está na clara proposta popular que sempre marcou a sonoridade da banda. Cantando sobre amores, desiluções, paixões e, principalmente, emoções, é fácil para uma família apreciar o que o Take That de hoje em dia tem para oferecer. E até mesmo o que ele teve para oferecer, pois grande parte do catálogo mostra seu valor na nostalgia exprimida pelo seu público, que hoje estão tão amadurecidos quanto. Além dos hinos, o que cativa no Take That é o senso único de união que se promove na maioria de suas canções, mais do que adequada de serem permeadas pelos estádios ingleses.
A principal razão pelo espaço deles aqui na minha coluna se deu quando li, há algumas semanas atrás, a lista que uma garotinha com câncer terminal do Reino Unido, Alice Pyne, de apenas 15 anos de idade, fez ao estilo do filme “Antes de Partir,” com Morgan Freeman e Jack Nicholson interpretando dois homens também com doenças terminais que decidem aproveitar seus últimos momentos de vida fazendo o que mais desejam. Um dos itens da lista de Pyne, além de querer nadar com tubarões, ganhar um iPad roxo e conseguir o maior número possível de doadores de medula óssea, um dos desejos é encontrar os integrantes do Take That pessoalmente, o que aparentemente já foi agendado para o encontro. Além da comovente lista, o fato do Pet Shop Boys abrir o show também não passou em branco, que adquiriu ainda mais cores quando vi um vídeo na internet de “Together,” recem single do duo, sendo apresentado no evento com direito a focos do público no telão, fazendo jus à faixa quando surpreendidos por suas imagens expandidas, acenam em conjunto. Honesta união popular…

Katy Perry e a última noite de sexta-feira dos 00s:
Todos já devem estar cansados de ouvir falar sobre Katy Perry, vê-la quase sempre semi-nua ou em trajes sexuais, ou então sua constante briga com a Lily Allen quando estão no páreo, mas há de se convir que seu último álbum, produzido por um time de produtores que contemplam nomes como Benny Blanco e Max Martin, é um dos brilhantes momentos da música pop de 2010/2011. Infelizmente “Teenage Dream,” um dos singles mais dóceis do ano passado pra mim, não vingou comercialmente quando se deparou com outros renomes no combate, mas “California Gurls,” “Firework” e “E.T.,” esta última, com participação do Kanye West, estiveram no gosto popular dos adolescentes e o mesmo promete acontecer com “Last Friday Night (T.G.I.F.),” cujo clipe vazou dia 12 de junho.
Dirigido por Marc Klasfeld, conhecido por criar propagandas da Nike, NBA, Motorola e Reebok, Katy Perry interpreta uma menina nerd de 13 anos anos de idade, trancada no quarto, tentando estudar em plena sexta-feira à noite, enquanto sua vizinha faz uma barulhenta festa, atrapalhando seus estudos. Perry é a figura do estereotipado nerd, com aparelhos enormes na boca, dificuldades em se expressar, visual descuidado e um temor por mudanças. Quem a incentiva é Rebecca Black, que aparece para lhe tirar do quarto, mas sem antes dar um trato na sua fisionomia, transformando a tímida garota numa escultural mulher, que deixa todos da festa de boca aberta quando a veem. Na disputa por Perry está um musculoso atleta da escola que antes da transformação não tinha olhos para ela e um outro nerd que parece apaixonado muito antes da sua mudança. Não fica claro qual dos dois ela escolhe, talvez porque seja a intenção não ter nenhuma escolha definida, mas sim a liberdade de alternância de seus parceiros, pratica comum em noites de sexta-feira que, quando chega no sábado pela manhã, ela acorda sem se lembrar o que tinha acontecido na última noite, com o musculoso ao seu lado na cama e outros tantos adormecidos pelo quarto.
Para trazer o público nerd à Perry não seria preciso tanto, pois sua própria música já o faz. Nerd inclusive que, após anos de popularização do termo, parece mais um enrustido e sufocado jovem que espera ansioso pela sua libertação das obrigações impostas por seus pais, do que um futuro garoto indie. Aliás, a segmentação entre nerd e indie é perceptível, sendo o primeiro uma visão debochada do segundo, e o segundo uma visão culta do primeiro. A verdade é que a integração entre o pop histérico e vociferante de Perry e a introversão dos tímidos nerds é cada vez mais aceita, isso quando eles optam por descer de seus quartos nas sextas-feiras à noite. Um pouco diferente de “Born This Way,” a sexta instiga a mudança, mostrando que o seu eu não precisa ser sempre o mesmo e que todos são capazes de impressionar, ao se redescobrirem, num ciclo que nem mesmo fim tem. A nova “Just Dance,” agora para os não tão baixinhos, está lançada. Essa mais comunitária e menos universal que Lady GaGa, mas tão “carpe diem” quanto. Com um diferencial: o que diria “Creep” em 2011 caso fosse convidado por Perry para a festa? A trilha sonora de “A Rede Social” tem o hino como um de seus estábulos, que parece cada vez mais abraçado pela cultura pop.

(Un)GaGa:
Lady GaGa lançou provavelmente um dos seus últimos singles do seu álbum “Born This Way” dia 5 de maio, mas teve seu clipe divulgado apenas dia 16 desse mês. Originalmente Joseph Kahn, o mesmo diretor de “LoveGame” e “Eh, Eh (Nothing Else I Can Say),” dois clipes bastante sexuais da fase inicial de GaGa, seria o diretor de “The Edge of Glory,” mas após desavenças entre ele e ela, ainda não explicitadas ao público, ele foi dispensado e GaGa acabou conduzindo a direção do vídeo. Nele, descrito por revistas especializadas como inspirado nos clipes de “Billie Jean” do Michael Jackson e “Papa Don’t Preach” da Madonna, GaGa aparece sozinha dançando pelas ruas, que se limita à uma escadaria externa, um pátio residencial e uma entrada onde Clarence Clemons, saxofonista e figura clássica do R’n'B norte-americano – que faleceu ontem (18/06) por complicações de um derrame – compartilha os degraus com GaGa em ocasionais momentos. O vídeo traz fragmentos em que GaGa dança longe do alcance das câmeras, outros em que seu rosto é focalizado, com os olhos esmaecidos pela maquiagem gótica, e alguns em que ela simplesmente caminha pela deserta rua, com trajes nada econômicos. O melhor instante está no “middle eight” da faixa, quando Clemons de fato faz seu solo no saxofone e GaGa, sozinha, curte com vibração, para depois beijar o asfalto e lentamente se levantar.
“The Edge of Glory” é oficialmente o clipe mais barato e modesto da Lady GaGa até então, o que não se sabe se foi consequente, da briga com o diretor original, ou opcional, lembrando a fase pouco escandalosa da nova-iorquina, que aboliu seu apelo sexual e agora lembra uma garota da noite passional, com sentimentos, objeções e movimentos a aderir. A aceitação não foi total, mas significativa, pois a maioria do seus fãs aprovaram a ideia solitária do clipe, mas muitos que estão apenas para se entreter com o espetáculo queriam mais e destribuíram olhares tortos para a despretensão do “limite da glória.” Que parece incoerente quando ouvimos ela dizer que “está no ápice com ele,” quando na verdade tudo está escuro, ela sozinha e a fumaça de uma das janelas enaltece o esmaecer da madrugada. Apesar de deixar todos divididos, GaGa talvez tenha feito seu melhor clipe e um dos seus mais humanos. Temos então o candidato perfeito a clipe pitoresco da artista Lady GaGa, o protagonista da obra.

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1 mandou ver
sibelly martinelly santos disse:
6 jul, 2011
maçaaaaaaaaaa adoreiii!!!!