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Comemorando 15 anos de uma bem-sucedida carreira, a banda Pedro Luís e A Parede estreia em DVD com show curto e cinematográfico.

Mesmo com o insuperável sucesso do Los Hermanos e com a intensa revisitação de clássicos do samba, do choro e da bossa-nova promovidas por inúmeros artistas crias da Lapa, nenhuma banda conseguiu, nos últimos anos, ser tão carioca quanto Pedro Luís e A Parede. Reunindo elementos do samba, do rock, do funk, do maracatu, da MPB e da música afro (só para citar algumas referências), a PLAP comemorou, em 2010, seus quinze anos de carreira com a gravação de seu primeiro DVD.

O show Navilouca Ao Vivo, gravado no lendário Circo Voador em 02 de Setembro, é um registro audiovisual que chama a atenção pelo contraste. Conhecida pela batucada empolgante, combinada à formação clássica de uma banda (guitarra, baixo e bateria), a Parede é flagrada de maneira inédita, em uma linguagem cinematográfica que em nada se aproxima ao apelo urbano de suas canções. Uma experimentação conceitual ou o afastamento do grupo em relação às origens?

Nem um, nem outro. Produzido pela Samba Filmes e realizado em conjunto com o Canal Brasil e a MP,B Discos e Produções, o formato da apresentação não passa de uma brincadeira estética de suas diretoras Gabriela Gastal e Gabriela Figueiredo. Diferente dos demais registros (em que palco e iluminação são elementos de destaque), “Navilouca Ao Vivo” preza pelo detalhe, pelo minimalismo e – principalmente – pela captação dos integrantes tocando seus inúmeros instrumentos de cordas e de percussão.

Usando um palco com fundo preto, sem qualquer elemento cênico, e apenas luzes brancas estáticas, a atenção de cada take do show se volta para a banda. Orientadas pela requintada direção de fotografia de Gustavo Hadba (Eu, Tu, Eles, O Homem do Ano, Desmundo, O Amor Nos Tempos do Cólera), as diretoras apostam em planos longos, arriscam ângulos pouco convencionais e praticamente eliminam as tomadas de fora do palco. Em quase toda a duração do show a sensação é de que a banda se apresenta ao vivo, mas em estúdio.

A opção por filmar obedecendo a uma linguagem que remete ao cinema influencia também em outros elementos do show, que não chegam a transformá-lo em uma jornada conceitual, mas aproximam o registro de uma obra linear, com início, meio e fim. Ao revisitar os quatro álbuns de estúdio que a banda cometeu desde 1997, Pedro Luís e seus companheiros de banda reúnem para este show suas canções mais representativas sem deixar de lado uma ou outra surpresa (como, por exemplo, “Braseiro”, famosa na voz da esposa de Pedro Luís, Roberta Sá).

Nesse sentido, as participações especiais são fundamentais para o desenvolvimento da “narrativa” do show, a começar pelo mestre de cerimônias Chacal. Repetindo o mesmo texto que usou ao apresentar a banda em seu primeiro show, o poeta realiza a abertura do espetáculo, que começa dando ênfase ao último trabalho da banda, “Ponto Enredo”, e recebe mais à frente a presença de Herbert Vianna para um medley composto por “Selvagem”, clássico dos Paralamas do Sucesso, e “Chuva de Bala”, canção do primeiro disco da PLAP, “Astronauta Tupy”.

O outro convidado especial é Lenine, que canta “Pena de Vida” ao lado de Pedro Luís no meio da plateia, com a banda já entre o público tocando apenas instrumentos percussivos. A empolgada performance que encerra o show se torna ainda mais interessante com o imprevisto que, por ausência de vídeos no YouTube, só poderá ser conferida por quem tiver adquirido o DVD.

Um dos pontos baixos do DVD, porém, está em sua duração. Com apenas 16 músicas e pouco mais de uma hora de show (são 75 minutos de vídeo, da apresentação aos créditos finais) o repertório, que é até bastante justo e honra a fama conquistada pela banda – como dito anteriormente –, é pequeno e pode enganar os espectadores mais empolgados: algumas canções da tracklist são, na verdade, citações ou trechos das mesmas. O medley “Selvagem”/”Chuva de Bala”, por exemplo, mantém intacta a letra de Herbert Vianna, mas reduz a de Pedro Luís a uma estrofe apenas.

A única exceção a esta infame regra é “Menina Bonita”, sucesso do segundo trabalho, “É Tudo 1 Real”, que aqui é seguida por “Mas Que Nada”, clássico de Jorge Ben Jor. Na mesma levada da música d’A Parede, a banda promove o primeiro grande momento de interação entre artista e público, e até mesmo a direção preocupa-se em reforçar a proposta cedendo algumas tomadas nas quais o público se faz presente. Tais liberdades estéticas (se assim pode ser dito) só voltam a acontecer no momento final do show, quando a banda reúne três de seus maiores sucessos de carreiras, ambos de “Astronauta Tupy”: “Fazê o Quê?”, “Seres Tupy” e “Caio No Suingue”.

Outro “porém” deste DVD está em seu menu de Extras, que traz apenas dois vídeos pouco interessantes: um é a perspectiva do baterista C.A. Ferrari tocando “Rap do Real”, música famosa nos shows do Monobloco (bloco carnavalesco com o qual todos os integrantes da banda eventualmente colaboram); o outro é um ensaio (com som e imagem de baixa qualidade) de “Não ao Desperdício”, canção punk rock do terceiro trabalho, “Zona e Progresso”. Uma pena, porque há um making of de 7 minutos, produzido pelo Canal Brasil, com depoimentos de todos os integrantes da banda, dos convidados especiais e da equipe técnica, além de alguns trechos da filmagem.

Felizmente, o making of está disponível no canal oficial da PLAP no YouTube:


Pedro Luís e A Parede – Navilouca Ao Vivo

Faixas do DVD:

1/ Caramujo Jah (citação) | Quebra-Quilos
2/ Ponto Enredo
3/ Santo Samba
4/ Mandingo
5/ Braseiro
6/ Navilouca
7/ Miséria no Japão
8/ Selvagem | Chuva de Bala (participação Herbert Vianna)
9/ Tem Juízo Mas Não Usa
10/ Menina Bonita | Mas Que Nada
11/ Meu Pai Oxalá (citação) | Nega de Obaluaê
12/ Rap do Real
13/ Fazê o Quê?
14/ Seres Tupy
15/ Caio No Suingue
16/ Pena de Vida (participação Lenine)
Extras:
Não ao Desperdício (ensaio)
Rap do Real (bateria


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