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“Shit My Dad Says”, a consolidação.

A Warner gosta de correr certos riscos. Aproveitou o hype (que não é mais hype, visto que está “eterno enquanto dura”) do Twitter e encomendou uma série baseada em uma conta do perfil social. Vamos aos fatos:

Justin Halpern, roteirista americano de 30 anos, desempregado, atingido pela crise econômica  e recém separado da namorada, não tinha outra escolha em sua vida a não ser morar com o seu pai, Samuel, um médico aposentado de 74 anos, rabugento, mal-humorado e, como o mundo pôde descobrir com o tempo, hilário. Justin é o criador do perfil @shitmydadsays, que como o nome “sugere”, é dedicado a coletar frases ditas pelo seu estimado pai. A página, que hoje passa da casa dos dois milhões de seguidores, serviu de inspiração para a série de mesmo nome, que nessa semana chegou ao final da sua primeira temporada.

Agora, reflita comigo, caro leitor: se alguém me dissesse que seria feita uma “série sobre um perfil do twitter repleto de frases politicamente incorretas e involuntariamente engraçadas, ditas por um velho desocupado e postadas pelo seu filho que não tem nem aonde cair morto”, eu dificilmente teria vontade de assistir. Independente do hype lançado à época, lembro que dei uma chance à série apenas por um motivo:

William. Shatner.

Sim, o lendário Shatner. O inigualável Capitão Kirk, de Star Trek. Ele foi escalado para o papel de Samuel Halpern (na série, seu nome é Ed Goodson), pai de Justin.

“Shit My Dad Says” é uma série sobre a relação entre pai e filho, sobre o estranho choque de culturas entre eles, e sobre o quanto cada um pode aprender com o outro. Mas, pensando bem, se alguém me dissesse que seria feita uma “série sobre a relação entre pai e filho e sobre o quanto um pode aprend…ROOOOOOOONC”, digo, whatever. Ainda não me convenceria. De qualquer forma, dei uma chance.

Apesar do piloto meia-boca (mas passível de arrancar algumas risadas), pode-se claramente notar o quão à vontade Shat já parece estar com o papel. E convenhamos, ter como protagonista de uma sitcom um homem mesquinho, egoísta, cínico, sarcástico, mal-humorado, narcisista, egocêntrico, amargo, rabugento, ácido, duro e irritante, e ainda assim fazer deste anti-herói um personagem tão carismático é um trabalho que só poderia ser dado a um grande ator. E William Shatner não só cumpre bem o seu papel como carrega toda a série nas costas. O resto do elenco (Jonathan Sadowsky, Will Sasso e Nicole Sullivan – os dois últimos, parceiros em MADtv) é razoável, mas longe de ser o suficiente pra segurar a série e garantir bons ratings se o protagonista não fosse tão bem escolhido. E é agora que voltamos a falar de:

William. Shatner.

É Shatner quem ilustra os cartazes de divulgação da série. É Shatner quem aparece na abertura da série. E Shatner é o grande responsável pelos mais de dez milhões de telespectadores no primeiro episódio, e, apesar da habitual e prevista queda, também foi Shatner o motivo da série ter mantido uma ótima audiência nestes 18 primeiros episódios.

A série entra em hiatus agora, parcialmente aceita pela crítica, e mantendo bons níveis de audiência e repercussão. Dificilmente será cancelada. Aos interessados, recomendo assistir pelo menos dois episódios. Não se deixe enganar por um piloto (Mr. Sunshine, por exemplo, fez um segundo episódio muito superior ao primeiro), onde as piadas ainda precisam se encaixar e os atores ainda precisam se entrosar. Não é a melhor sitcom de todos os tempos, nem a melhor dos últimos anos… E nem a melhor dos últimos meses, mas é boa pra passar o tempo (caso você seja destas pessoas que costuma tê-lo de sobra). E acredite: se, ainda assim, você precisa de um motivo consistente para dar uma chance como eu dei, leia novamente e com muita atenção minhas últimas duas palavras deste post:

William. Shatner.


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