Uma boa trama, a assinatura de um dos maiores produtores dos últimos tempos, personagens com excelentes histórias interpretados por excelentes atores, e uma legião de fãs na internet. Então, qual o problema de Fringe?
Atenção: este post NÃO contém spoilers. Claro, aos que conhecem a série a fundo isso pode torná-lo meio superficial, mas não estamos aqui agora para discutir detalhes do primoroso enredo de Fringe. Dito isso, à reflexão!
Fringe é uma série criada por J.J. Abrams, que, pra quem viveu em algum universo paralelo nos últimos anos, é o mesmo criador da histórica Lost e da não menos importante Alias. A série estreou em setembro de 2008 nos Estados Unidos pela FOX com um dos pilotos mais geniais (e caros) dos últimos tempos. Nascia ali uma grande série. Mas com o tempo, o resto do mundo deixou de perceber isso.
Calma, não apressemos os fatos. Um mês depois da estreia, Fringe já garantiria uma temporada completa, aumentando assim a produção de 13 para 22 episódios (depois reduzidos para 20). A segunda temporada estreou em setembro de 2009. E aí começam os problemas.
A primeira temporada se preocupou em introduzir e acostumar os seus telespectadores ao seu “universo”. Em uma mistura de Arquivo X e Alias (e um pouquinho de Além da Imaginação – quem lembra?), Fringe abordava o sobrenatural, em uma forma de ficção científica que, se era já meio batida pelo seu tema, era completamente inovadora no modo como era conduzida.
Para deixar as pessoas que nunca ouviram falar em Fringe situadas: a série é sobre uma divisão do FBI que investiga acontecimentos sobrenaturais e aparentemente sem explicação. A agente Olivia Dunham (Anna Torv), acompanhada de Peter e Dr. Walter Bishop (Joshua Jackson e o inacreditavelmente maravilhoso John Noble) tentam, através de métodos científicos, digamos, “alternativos”, resolver estes problemas, bem como descobrir o que está causando isso tudo.
E é nessa parte que a série fica boa – e é agora que eu paro de falar sobre o enredo. Sem spoilers, eu havia dito…
Só posso dizer que atualmente, a série está focada em mais de um universo. Sim, uma realidade alternativa, um universo praticamente igual ao nosso, apenas um pouco diferente. Diferentes universos são formados a cada decisão que cada um de nós precisa fazer. Cada probabilidade de alguma coisa acontecer gera um universo diferente – de acordo com o grande Dr. Walter Bishop.
(Situados? Que bom. Segue o baile, então.)
Mesmo que na metade da segunda temporada, seja preciso admitir uma queda de fôlego por parte dos roteiristas, que esqueceram de balancear os diferentes elementos de narração que a série explora, nos últimos meses, já na terceira temporada, Fringe evoluiu assustadoramente no desenvolvimento da sua própria mitologia – o que afastou os telespectadores menos assíduos. Ficou repleta de referências que remetiam a outros episódios, mesmo que só por uma frase dita, ou por uma ação supostamente irrelevante tomada em episódios anteriores – e isso também fez muita gente se perder pelo caminho. Os easter eggs e os extras encontrados na página da série na FOX, e as discussões e teorias geradas nos fóruns da internet conseguiram trazer um status cult à Fringe – o que refletiu negativamente na audiência e na credibilidade da série, que há um ano já era (bastante) assombrada por um possível cancelamento. 
Fringe, no final de janeiro deste ano, foi transferida de quinta para sexta na FOX, dia da semana conhecido por “enterrar” de vez as séries. Já havia sido assim com Dollhouse e Firefly (que aliás, era o nome do primeiro episódio exibido na nova grade – provocação dos roteiristas ou coincidência?). Com uma grande promoção por parte da FOX para o novo dia de Fringe e uma monstruosa campanha online feita pelos fãs, que tomou os Trending Topics do Twitter, criou petições online e era assunto em todos os blogs e sites de séries, Fringe conseguiu uma audiência 12% superior a do episódio exibido uma semana antes. O desespero começava a desaparecer aos poucos. Será que Fringe estava a salvo?
Pois bem. “Stowaway”, 17º episódio desta temporada, exibido na última sexta, teve a pior audiência da série desde o seu início. E como fã de Fringe, preciso dizer que foi um episódio acima da média, com uma atuação impecável da Anna Torv, agora nesse novo caminho narrativo feito pra ela (sem spoilers!).
Sobre os atores, é preciso falar: Anna Torv, que era contestada no início da série por não trazer carisma ao personagem, até depois descobrirmos o porquê da sua personagem (e da sua atuação) ser daquele jeito, e todas as transformações pelas quais ela passou, hoje dá uma aula de interpretação a cada novo episódio. Joshua Jackson, que provavelmente faz o personagem mais difícil da série, não decepciona em nenhum monento – e olha que ele já passou por todos os momentos que você pode imaginar. E John Noble, bem, vou me conter agora. Só vou dizer que ele é, sem sombra de dúvidas, o MELHOR ator de séries atualmente. Se eu fosse me estender nos porquês, precisaria de outra postagem no blog apenas sobre ele.
A série, eu já disse no início, é assinada por J.J. Abrams, que após o sucesso de Lost, tem carta branca da FOX pra fazer o que ele bem entender. Dito isso, retomo a pergunta: com uma RELIGIÃO de fãs que defendem a série com unhas e dentes na internet, com interpretações impecáveis por parte do seu elenco, com provavelmente a melhor equipe de criação/produção/direção tomando conta e produzindo episódios não menos que geniais em sequência… Qual o problema de Fringe?
O que me deixa um pouco mais tranquilo é que, talvez em um universo paralelo, a série tenha o reconhecimento que merece.
UPDATE: Enquanto escrevia este post, Joel Wyman, um dos produtores de Fringe, disse em seu perfil no Twitter que os boatos são apenas boatos e que Fringe não será cancelada. Ficamos na torcida. #SaveFringe


Envie este artigo por e-mail






3 mandaram ver
S01E06: Aquele com a melhor série que não deu certo | topicolivre.com disse:
3 abr, 2011
[...] e, ainda no hype Lostiano, exibiu o piloto mais espetacular dos últimos tempos (ok, o piloto de Fringe entra nessa briga [...]
Ricardo disse:
24 mar, 2011
E Fringe foi renovada! O mesmo Joel Wyman confirmou a renovação em sua página no twitter.
Keny Lane disse:
24 mar, 2011
Eu só tenho uma coisa a dizer: Please, please, please, FRINGE não pode ser cancelada até ser “concluída”.
Ótimas observações!