A melhor série sobre nada e uma ideia colaborativa.
Jerry Seinfeld. Nascido em 1954. Norte-americano. Responsável pela maior sitcom americana de todos os tempos (segure-se na poltrona, friendsfan, espere sua vez), responsável pela ideia do nome dessa coluna e responsável pela última boa notícia do mundo humorístico, anunciada nessa semana.
Pois é. Seinfeld estreou nessa semana seu novo website, que disponibiliza gratuita e diariamente apresentações suas de stand-up comedy, estilo de humor que, em conjunto com a célebre série que leva o seu nome, o tornou conhecido mundialmente.
O material foi escolhido entre o arquivo pessoal do artista e vídeos de amigos. O comediante afirmou já ter mais de mil vídeos, separados e escolhidos a dedo, na fila para entrar no seu acervo virtual. E ele disse:
“Eu pensei: ‘onde minhas coisas estarão guardadas quando eu morrer?’ (…) Elas estarão perdidas? Decidi então filtrar e ser o juiz do que eu acho que é bom entre meu material.”
Três novos vídeos são postados diariamente (infelizmente, não é possível navegar pelos vídeos antigos, mas eu recomendo que vocês salvem o endereço nos favoritos para ter a sua dose diária de – bom – humor), seja de apresentações mais recentes – e aqui eu preciso comentar, o que aconteceu com a voz dele? – até vídeos clássicos dos anos 80 em praticamente todos os programas de auditório norte-americanos.
Essa iniciativa de Jerry Seinfeld emociona os saudosistas da sua série (como eu), que dificilmente se empolgaram tanto com qualquer sitcom criada dos anos 2000 pra cá. Claro, nós temos algumas boas tentativas, a simpática e sentimental How I Met Your Mother, o humor nerd hypado de The Big Bang Theory, a piada rasteira-mas-eficiente da finada That’s 70 Show, entre muitos outros. Mesmo assim, desde Seinfeld (e logicamente, Friends) parece que o mundo da comédia na televisão se resumiu a mais do mesmo – a premissas batidas e repetitivas, que só fazem a série durar se houver um personagem que apresente algum diferencial (como Barney Stinson, Charlie Harper ou Sheldon Cooper) ou alguma característica que torne a série única (temática nerd, temática setentista, séries em forma de documentário) – e ainda assim, precisaríamos esperar alguns anos para saber se ela terá o mesmo impacto que as duas principais sitcoms norte-americanas já citadas. Até as séries que mais se afastam do que parece um modelo de humor padrão ainda estão engatinhando entre o reconhecimento da crítica e do público – caso, por exemplo, da espetacular Community.
Mas por quê Seinfeld, que não chega nem a ser uma das pioneiras do formato, faz tanta falta? Pra responder essa, vou pedir ajuda ao não menos do que genial Luís Fernando Verissimo, que fez algumas considerações sobre a série no jornal Zero Hora que eu gostaria de transpor aqui:
“Não raro, fãs se reúnem para comemorar aparições do elenco em outros programas, discutir como a série, hoje, lidaria com a geração Twitter/Facebook, relembrar seus episódios favoritos (o do nazista da sopa, o do jejum de masturbação) ou suas frases prediletas (“They’re real, and they’re spectacular!”, “I was in the pool!”). Essas conversas entre amigos – em suma, conversas sobre o nada — refletem a essência de Seinfeld, um seriado sobre quatro amigos de Nova York que se reúnem para falar sobre nada.”
Seinfeld sempre foi a melhor série sobre o nada, justamente pelo fato de ser a melhor série sobre tudo – sobre absolutamente tudo que acontece nas nossas vidas. Todo o conceito de sitcom é baseado nisso. Assuntos casuais, que hoje é possível discutir e comentar no Twitter ou em tópicos do Orkut (céus, alguém ainda usa isso?) eram tratados das formas mais absurdas – e ao mesmo tempo, extremamente fáceis de se identificar – em Seinfeld. Se você não conhece a série, dê uma chance. Ou duas. Pode ser estranho no início, eu sei, mas deixe os quatro amigos de Nova Iorque te seduzirem e dividirem algumas histórias com você. Vale a pena, confie em mim.
Antes de ir, tenho um apelo a fazer e quero que TODAS as (nove ou dez) pessoas que leem essa coluna até o fim prestem atenção. A proposta é a seguinte: emocionado por poder falar ao menos um pouquinho sobre Seinfeld aqui nesse tão estimado sítio, me veio à cabeça fazer uma lista com as n melhores séries de comédia dos últimos tempos (não tenho um número definido ainda). Pretensão demais, eu sei. Minha carreira seriática ainda é bem limitada, e é por isso que eu peço ajuda de todos. Desde 1990, quais foram as melhores séries de comédia que você já assistiu ou conheceu? Que outras séries além das já mencionadas nesse texto mereceriam um lugar na lista? Deixe seu comentário aqui embaixo ou me procure no twitter para discutirmos um pouco mais. Vale qualquer tipo de série cômica: sitcom, reality show, auditório, improv, hidden cameras, animação, etc. Pode ser norte-americana, britânica, nacional, latina… Pode ser recente, estar em exibição ou não. Você pode usar o seu gosto pessoal como critério (eu vou usar, pelo menos), ou refletir sobre a repercussão dela ou sobre a sua influência, ou então sobre o sucesso de crítica, ou de público, ou o número de prêmios… Enfim. Vale tudo.
Peço que façam esse exercício durante essa semana. Tentarei fazer essa lista do jeito mais participativo possível. E conto com a ajuda de vocês.
Um pouquinho de Seinfeld, antes de dar tchau:
Agora sim, tchau!

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4 mandaram ver
Litha disse:
10 mai, 2011
Meu forte não é comédia, é drama, mas segue as preferidas de comédia:
Two and a Half Men
Big Bang Theory
How I Met Your Mother
Gus Vilela Fofolete disse:
9 mai, 2011
pra mim, são essas (não em uma ordem, mas são essas):
Seinfeld
Friends
Trapalhões – mas acho que não entra, pois eles eram bons mesmo antes de 1990, assim como outra da lista: Chaves e Chapolin
Community
30 Rock
Two and a half men
(também gosto de The Big Bang Theory, mas também acho que não chega perto das outras).
com certeza estou esquecendo alguma… Quando lembrar, ponho aqui.
Rodf disse:
9 mai, 2011
Humildemente, meus palpites. Serei meio óbvio, até.
Essas quatro, SEM ordem de preferência ou qualidade: Monty Phyton, Os Trapalhões, Chaves e Chapolin. Logo após estas, Two and a half men, que acompanho desde o começo – então não me influencio pelo hype que a série andou sofrendo. Gosto muito mesmo. Logo depois, 30 Rock e The Office (não vi a original, com o Gervais, mas imagino que seja tão foda quanto a do Carrell – e, falando nisso, também preciso assistir ao programa de rádio dele, ou ao menos ouvir o podcast).
Apesar de gostar muito de The Big Bang Theory, não acho que seja boa o suficiente pra competir com essas. Mas vale lembrar que não me considero um grande conhecedor de séries, provavelmente ha muitas que poderiam figurar a minha lista se eu tivesse tido paciência/tempo/oportunidade de acompanhar. Ótimo post – e quero ver o desfecho, pra eu ficar de olho em mais algumas séries!
Josi disse:
9 mai, 2011
Poxa, falar disso dá uma saudade boa, rs. Bom, ressaltando que pela minha memória era o que passava no Brasil em TV aberta, tá? Eu não morava em SP na ocasião, e em muitas partes do Brasil, ao menos naquela década, o acesso à tv a cabo era bastante restrito. Fora Seinfeld e Friends (the best na minha opinião), teve bastante coisa engraçada: Mad about you, que projetou a carreira da atriz Helen Hunt, era divertidíssima. Fresh Prince of Bel-Air, ok, pode dizer que é bem bobinho, bestinha, enfins… mas eu ria muito daquela besteirada toda de Will Smith e família. Agora me lembrei da família Dinossauro… passava na TV Colosso (na minha opinião o melhor infantil já produzido pela Globo, depois que inventaram que modelos com roupas extravagantes deveriam entreter crianças… humpf!) e eu assistia aquilo todo dia, porque era na hora do almoço, rs. Ou era isso, ou o Chaves, mas o Chaves eu decorei todo na década anterior, rs, então a opção que restava eram os pré-históricos mesmo. Barrados no baile entraria em comédia?? Acho que comédia acidental, talvez, eu assistia, mas não era assim aqueeela coisa de ‘olha que boa que é essa série!’ não… Blossom, que passou no SBT, era engraçadinha,tinha aquela temática básica da adolescente passando por n transformações e afins, e tudo que isso gerava em família. Não sei se entraria na qualificação, mas eu até hoje não vi no Brasil nada parecido com a TV Pirata. Era muito bom, muito engraçado, e eu levava bronca do meu pai por ficar acordada até tão tarde. Daí, você vê o humor que fazem hoje e, na boa, a última coisa que você faz é rir… Ainda bem que surgiu essa onda stand up pra meio que salvar a cena do humor, porque o Brasil politicamente correto é tão chato, mas tão chato, que dá ânsia… De momento me lembro desses, e por estarmos falando apenas de 1990 pra frente, deixei de fora Os trapalhões e Armação Ilimitada, que foram as coisas mais engraçadas da década anterior (tipo assim, acabei falando de qualquer jeito né?Rs).