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Quando esbarrei minhas mãos frias de paz em teu corpo ambíguo de chuva, uma cimitarra quente e suja da terra do barranco trazido pela tempestade noturna perpassou minhas entranhas. Ferido, vi que era hora de me mudar para o mar.

Estou certo de que o mar é o caminho
Sei que lá conseguiria me encontrar
O azul profundo a me englobar sozinho
Adivinhando meu desejo ao mergulhar

Por ti eu choro, mas meu choro não se vê
Salgado e líquido, como todo meu redor
De ti eu fujo e não se vê o meu suor
O mar esconde o meu esforço de você

Quero gritar e o mar invade a m’nha garganta
Desejo a morte e ela não quer me aceitar
A febre do meu corpo a água fria espanta
Eu crio brânquias de tanto me afogar

Mas o que é o mar, o mar, o mar, o mar
Senão a mor, a mor, a mor, a mor, amor

Imagem que ilustra o texto: Profundezas (Maria de Fatima Marques)


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